Quando o Humano se torna Inumano
Há um momento em que o humano deixa de ser sujeito e passa a ser vitrine. Não acontece de uma vez; é um processo silencioso, confortável, instagramável. Primeiro, aprende-se a sorrir para a câmera. Depois, a viver para ela. Por fim, já não se sabe mais existir sem o reflexo do próprio rosto numa tela. A degradação do humano não vem com algemas nem com decretos. Ela chega em forma de convite: “mostre-se”. O mundo vira cenário, a intimidade vira conteúdo, o pensamento precisa caber em quinze segundos. O que não engaja não existe. O que não aparece morre. E assim seguimos, fabricando versões editadas de nós mesmos, como se a vida precisasse de filtro para ser suportável. O tal do BBB é a síntese brutal desse projeto. Uma casa de vidro onde pessoas são confinadas não para viver, mas para performar. Não se trata de convivência, mas de exposição. Não é experiência humana, é experimento social com plateia. Gente vigiada, editada, torcida, cancelada. Do lado de fora, multidões gritam — n...
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