Entre acentos e palavras
Acesse no jornal O Estado. https://oestadoce.com.br/opiniao/entre-acentos-e-palavras/ Houve um tempo em que pensei que o português fosse uma casa, de portas altas e janelas que rangem com o tempo, onde cada cômodo guarda um eco. A gente entra menino, tropeça nos tapetes, esbarra nos móveis, bate a cabeça nos acentos. Ou deveria ser pés e tornozelos nos assentos. Seguimos, e vamos falando até entender que ali dentro nada é exatamente o que parece; mas tudo encontra um sentido quando se escuta com paciência. Outro dia, por exemplo, me peguei implicando com esse pequeno traço que governa destinos: o acento. Um risco mínimo, desses que cabem na ponta do lápis, porém muda tudo. Entre doidos e doídos há mais que uma diferença gráfica; há um abismo humano. Um se perde da razão, o outro se perde de si. E o curioso é que, na pressa cotidiana, basta um descuido para que a dor vire desordem. Ou o contrário. Há quem diga que acento é detalhe, principalmente com essa forma de escrita, o WhatAp...