Quando a democracia começa a morrer
Há momentos na história em que a democracia não morre de repente. Não há tanques nas ruas, soldados ocupando o Congresso ou generais anunciando o fim das liberdades em cadeia nacional. Às vezes, ela morre de terno e gravata, dentro de um plenário, sob aplausos, protegida por discursos inflamados sobre a ordem, a família e a pátria. Morre aos poucos, enquanto a sociedade, distraída com o espetáculo, acredita que tudo não passa de mais uma disputa eleitoral. É assim que começam os períodos sombrios: não necessariamente com o estrondo de uma explosão, mas com o silêncio de quem já não se espanta . O Brasil deveria prestar atenção aos sinais. Na Itália renascentista, a família Bórgia tornou-se símbolo histórico de ambição, intrigas, alianças oportunistas e disputas pelo poder. Entre a política e o crime, entre a fé e a conveniência, construiu-se uma reputação que atravessou os séculos, alimentada tanto pelos acontecimentos quanto pelas lendas. Os Bórgias (que também come...