O avesso da honra, uma tragédia humana.
O país acordou atravessado por uma notícia que não cabe inteira em nenhuma manchete. Um homem matou os próprios filhos e depois tirou a própria vida. As primeiras explicações correram com a velocidade que só a dor e o escândalo conhecem: traição, honra ferida, vingança íntima. Em poucas horas, as redes já tinham um tribunal armado, réus definidos, sentenças proferidas. Tudo muito rápido. Rápido demais para algo que exige silêncio. O que mais assusta não é apenas o crime (já terrível por si), mas o quanto ele ativa fantasmas antigos que a gente jura ter superado. A ideia de honra masculina que atravessa séculos legitimando violências, reaparece como um eco incômodo. Mudam os séculos, mudam as leis, mas certas sombras parecem sobreviver no inconsciente coletivo, esperando um gatilho para voltar a respirar. Não escrevo como juiz. Não é meu lugar absolver ou condenar. Mas sou alguém que tenta compreender o cenário humano que se revela quando a tragédia rasga o cotidiano. E há algo aqui que...