Carnaval, raiz do Brasil.
O carnaval não começa na avenida. Ele começa muito antes — no quintal varrido, no barracão que respira cola, tinta e conversa, no rádio e novas mídias ligadas enquanto mãos calejadas transformam papel, tecido e sonho em promessa. O carnaval nasce onde a vida é coletiva, onde ninguém faz nada sozinho, onde cada gesto carrega uma herança antiga que pulsa sem pedir licença. É festa, sim. Mas é também memória. Há um sangue ancestral correndo sob o brilho das lantejoulas. Um tambor que não toca apenas ritmo: toca história. Cada batida parece dizer que o Brasil não é só o que se vê, é o que resiste. É o que se reinventa. O carnaval é o idioma de um povo que aprendeu a transformar dor em dança, dificuldade em fantasia, sobrevivência em celebração. Nos barracões, o tempo se dilata. Ali, trabalhadores e trabalhadoras esculpem alegria com precisão de quem sabe que a beleza também é um ofício. Cada costura é um pacto silencioso: fazer florescer grandeza com o que se tem. O luxo que at...