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Celebração da poesia e do teatro

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  Caio Quinderé celebra 40 anos de trajetória cultural com espetáculo teatral e lançamento de livro no Cine Teatro São Luiz Quatro décadas dedicadas à arte, à literatura e ao teatro serão celebradas em uma noite especial. No dia 13 de agosto , a partir das 18h30 , o Cine Teatro São Luiz será palco das comemorações pelos 40 anos de atividade cultural de Caio Quinderé , reunindo duas expressões marcantes de sua produção artística: a estreia de uma montagem teatral baseada em sua dramaturgia e o lançamento de seu novo livro de poesias, Novelos do Tempo . A programação tem início com a apresentação do espetáculo teatral E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias de autoria de Caio Quinderé, em uma montagem do Grupo Quimeras de Teatro , sob a direção de Antônio Marcelo, tendo no elenco Kátia Camila, Tetê Palha e Elza Monte. A encenação reafirma a força da dramaturgia do autor, cuja escrita transita entre a sensibilidade poética, a reflexão sobre a condição humana e a valorização da cu...

Fragmentos de Sonhos Escritos

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  Em Fragmentos de Sonhos Escritos, Caio Quinderé convida o leitor a atravessar um território onde a realidade se desfaz em camadas sutis de memória, imaginação e silêncio. A obra reúne contos de forte densidade filosófica e existencial, construídos sob uma linguagem poética que dialoga com o realismo mágico e com a inquietação do homem contemporâneo diante do tempo, da perda e da identidade. Cada narrativa funciona como um fragmento de sonho que insiste em permanecer acordado.  O livro parte da ideia de que a realidade é frágil, porosa, muitas vezes ilusória, e que a memória individual ou coletiva molda aquilo que acreditamos ser. Entre o real e o onírico, os personagens caminham por uma fronteira instável, em que o cotidiano se transforma em mistério e o extraordinário se manifesta de forma íntima e silenciosa. 

O Goleiro que escuta

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por Caio Quinderé Há quem pense que o futebol é um jogo de pernas. Outros defendem que ele pertence aos pés mais habilidosos, aos dribles improváveis ou aos atacantes que decidem partidas. Mas, vez ou outra, o futebol nos lembra que também é um jogo de ouvidos.  Escutar é uma arte pouco valorizada. Vivemos cercados por vozes querendo falar, opinar, convencer. Poucos se dispõem a ouvir. E talvez por isso o goleiro seja uma das figuras mais fascinantes do futebol. Enquanto todos olham para a bola, ele precisa escutar.  Escutar o silêncio antes da cobrança de falta. Escutar o grito do zagueiro. Escutar o movimento do adversário. Escutar o próprio corpo dizendo o momento certo de sair ou permanecer debaixo das traves. Penso nisso quando vejo Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde.  Seu país escreve uma página inédita da história ao disputar, pela primeira vez, uma Copa do Mundo. Não é apenas uma estreia. É um povo inteiro descobrindo que os sonhos também podem vestir chute...

O Goleiro da Vida

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  O Goleiro da Vida por Caio Quinderé Quando se fala em futebol, quase sempre os holofotes apontam para quem faz o gol. O centroavante é celebrado, o camisa dez é aplaudido, os atacantes viram heróis. Às vezes, até a defesa ganha reconhecimento. Mas há um personagem que costuma viver entre o anonimato e a glória: o goleiro. O goleiro é diferente. Enquanto todos correm para frente, ele permanece atrás. Enquanto os outros comemoram os gols, ele luta para evitá-los. Seu maior triunfo é impedir que o pior aconteça. Seu erro, muitas vezes, é fatal. Seu acerto, quase sempre, passa despercebido. Talvez por isso o goleiro seja uma das melhores metáforas da vida. Todos nós, em algum momento, precisamos vestir as luvas da existência. “A vida não exige apenas coragem” (parafraseando o escritor Guimarães Rosa) para atacar os sonhos; exige também sabedoria para defender aquilo que conquistamos. É preciso aprender a dizer "não", proteger os nossos valores, afastar as tentações, resistir ao...

O Direito de Acreditar.

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  O Direito de Acreditar por Caio Quinderé jornalista e escritor Outro dia, parado num sinal de trânsito, observava um vendedor ambulante. Fazia calor. O movimento era pequeno. Os carros passavam apressados e poucos notavam sua presença. Ainda assim, ele ajeitava tudo com cuidado, alinhava os produtos e reposicionava outro. Havia naquele gesto uma convicção silenciosa de que alguém iria parar, olhar e comprar. Talvez não vendesse naquele dia. Talvez vendesse o suficiente para voltar no dia seguinte. Mas estava ali. E havia naquela cena uma característica que, para mim, explica o Brasil: a extraordinária capacidade de acreditar. O brasileiro acredita. Acredita quando as circunstâncias recomendam cautela. Acredita quando os números não fecham. Acredita quando os especialistas apontam dificuldades e quando o caminho parece mais longo do que deveria ser. Há quem chame isso de teimosia. Outros preferem dizer que é excesso de otimismo. Mas quem conhece o Brasil de perto sabe que é algo d...

O Tempo Debaixo do Pau-Brasil

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  por Caio Quinderé jornalista e escritor Na última sexta-feira, saí de casa apressado. A ansiedade tinha endereço certo: a editora onde me aguardava para entregar o “boneco” do meu próximo livro. Quem escreve conhece bem essa expectativa. Ver um livro ganhar forma é como encontrar, pela primeira vez, um filho que durante meses habitou apenas a imaginação. Cheguei ao destino e encontrei as portas fechadas. Por alguns instantes, pensei ter errado o horário. Depois lembrei: era ponto facultativo, um daqueles dias que o calendário empurra para dentro do feriado de Corpus Christi, criando um intervalo silencioso entre o trabalho e o descanso. Enquanto eu ainda calculava o contratempo, um rapaz que passava pela rua me disse, com a tranquilidade de quem conhece os ritmos do lugar: — Espere um pouco. Daqui a pouco eles abrem . E eu esperei. Ao lado da editora havia um majestoso pau-brasil. Centenário, alto, largo de tronco e generoso de sombra. Suas raízes expostas desenhavam sobre a terr...

Edgar Morin e a arte de compreender a complexidade humana

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A humanidade perdeu, na última sexta-feira, uma de suas mais luminosas referências intelectuais. Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo francês, atravessou mais de um século de transformações históricas sem jamais abandonar a curiosidade, a capacidade de diálogo e a esperança no ser humano. Sua partida encerra uma trajetória extraordinária, mas deixa um legado que continuará iluminando gerações. Morin foi muito mais do que um pensador. Foi um intérprete da condição humana. Em um tempo marcado por especializações cada vez mais estreitas, ele ousou defender a necessidade de conectar saberes, compreender as relações entre as partes e o todo, entre o indivíduo e a sociedade, entre a ciência e a vida. Seu maior legado talvez esteja sintetizado no conceito que o tornou mundialmente reconhecido: o Pensamento Complexo. Para Edgar Morin, a realidade não poderia ser reduzida a explicações simplistas. O mundo é tecido por múltiplas conexões, incertezas, contradições e interdependências. C...