Adeus de um Aremesso Infinito
Adeus de um Arremesso Infinito Há despedidas que não cabem no calendário. Elas acontecem dentro da gente, quando o silêncio ocupa o lugar de um som que parecia eterno. A partida de Oscar Schmidt tem um pouco disso: não é apenas a ausência de um atleta, mas a sensação de que um pedaço da nossa memória coletiva atravessou a quadra do tempo e desapareceu no túnel dos vestiários. Para quem cresceu vendo o Brasil se reconhecer em seus heróis esportivos, Oscar não era só um jogador de basquete. Era uma espécie de bandeira humana tremulando dentro das quadras. Cada arremesso seu carregava mais do que a bola: levava consigo um país inteiro, com suas esperanças e seus sonhos. Aquela insistência teimosa de acreditar que é possível ser grande. Ser brasileiro. Nos anos em que o Brasil ainda aprendia a se olhar com orgulho (e esse é um exercício que precisa ser cultivado), Oscar surgia como um gesto luminoso. Alto, obstinado, dono de um arremesso buscando conversar com o destino. Quando...