Postagens

Mostrando postagens de maio, 2026

Edgar Morin e a arte de compreender a complexidade humana

Imagem
A humanidade perdeu, na última sexta-feira, uma de suas mais luminosas referências intelectuais. Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo francês, atravessou mais de um século de transformações históricas sem jamais abandonar a curiosidade, a capacidade de diálogo e a esperança no ser humano. Sua partida encerra uma trajetória extraordinária, mas deixa um legado que continuará iluminando gerações. Morin foi muito mais do que um pensador. Foi um intérprete da condição humana. Em um tempo marcado por especializações cada vez mais estreitas, ele ousou defender a necessidade de conectar saberes, compreender as relações entre as partes e o todo, entre o indivíduo e a sociedade, entre a ciência e a vida. Seu maior legado talvez esteja sintetizado no conceito que o tornou mundialmente reconhecido: o Pensamento Complexo. Para Edgar Morin, a realidade não poderia ser reduzida a explicações simplistas. O mundo é tecido por múltiplas conexões, incertezas, contradições e interdependências. C...

A Arte de contnuar

Imagem
Outro dia vi uma mulher varrendo a calçada enquanto o mundo parecia desabar dentro do celular dela. O aparelho tocava notícias ruins em sequência: guerra, inflação, escândalo político, tragédia climática, violência urbana, intolerância ideológica, vídeos curtos ensinando felicidade instantânea e ódio imediato. Ainda assim, ela seguia varrendo as folhas secas da rua com uma serenidade íntima, como quem soubesse que o país não se sustenta nos discursos inflamados da internet , mas no gesto silencioso de quem continua.  Pensei nisso o dia inteiro. O brasileiro talvez seja um dos maiores especialistas mundiais na arte de resistir. Não essa resistência teatral dos slogans publicitários, nem a superação plastificada das palestras motivacionais. Falo da resistência anônima, cotidiana, invisível. Aquela que mora na senhora que pega dois ônibus lotados para trabalhar e ainda encontra força para perguntar ao vizinho: “Tudo bem por aí?” . Existe uma filosofia profunda no pedreiro que trabalh...